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Papo de Botequim – Parte 7


– Cumequié rapaz! Derreteu os pensamentos para fazer o scriptizinho que eu te pedi? – É, eu realmente tive de colocar muita pensação na tela preta mas acho que consegui! Bem, pelo menos no testes que fiz a coisa funcionou, mas você tem sempre que botar chifres em cabeça de cachorro!- Não é bem assim, programar em shell é muito fácil, o que vale são as dicas e macetes que não são triviais. As correções que te faço, são justamente para mostrá-los. Mas vamos pedir dois chopes enquanto dou uma olhadela no teu script.- Aê Chico, traz dois. Não esqueça que um é sem colarinho.


$ cat restaura

#!/bin/bash
#
# Restaura arquivos deletados via erreeme
#

if [ $# -eq 0 ]
then
echo “Uso: $0 ”
exit 1
fi
# Pega nome do diretório original na última linha
Dir=`tail -1 /tmp/$LOGNAME/$1`
# O grep -v exclui última linha e cria o
# arquivo com diretorio e nome originais
grep -v $Dir /tmp/$LOGNAME/$1 > $Dir/$1
# Remove arquivo que jah estava moribundo
rm /tmp/$LOGNAME/$1

– Peraí, deixa ver se entendi. Primeiramente você coloca na variável Dir a última linha do arquivo cujo nome é formado por /tmp/nome do operador ($LOGNAME)/parâmetro passado com nome do arquivo a ser restaurado ($1). Em seguida o grep -v que você montou exclui a linha em que estava o nome do diretório, isto é, sempre a última e manda o restante do arquivo, que seria assim o arquivo já limpo, para o diretório original e depois remove o arquivo da “lixeira”; S E N S A C I O N A L! Impecável! Zero erro! Viu? você já está pegando as manhas do shell!

– Então vamulá chega de lesco-lesco e blá-blá-blá, de que você vai falar hoje?

– É tô vendo que o bichinho do Shell te pegou. Que bom, mas vamos ver como se pode (e deve) ler dados e formatar telas e primeiramente vamos entender um comando que te dá todas as ferramentas para você formatar a sua tela de entrada de dados.

O comando tput

O maior uso deste comando é para posicionar o cursor na tela, mas também é muito usado para apagar dados da tela, saber a quantidade de linhas e colunas para poder posicionar corretamente um campo, apagar um campo cuja crítica detectou como errado. Enfim, quase toda a formatação da tela é feita por este comando.

Uns poucos atributos do comando tput podem eventualmente não funcionar se o modelo de terminal definido pela variável $TERM não tiver esta facilidade incorporada.

Na tabela a seguir, apresenta os principais atributos do comando e os efeitos executados sobre o terminal, mas veja bem existem muito mais do que esses, veja só:

$ tput it
8

Neste exemplo eu recebi o tamanho inicial da <TAB> ( Initial T ab), mas me diga: para que eu quero saber isso? Se você quiser saber tudo sobre o comando tput (e olha que é coisa que não acaba mais), veja em: http://www.cs.utah.edu/dept/old/texinfo/tput/tput.html#SEC4.

Principais Opções do Comando tput
Opções do tput Efeito
cup lin col CUrsor Position – Posiciona o cursor na linha lin e coluna col. A origem é zero
bold Coloca a tela em modo de ênfase
rev Coloca a tela em modo de vídeo reverso
smso Idêntico ao anterior
smul A partir desta instrução, os caracteres teclados aparecerão sublinhados na tela
blink Os caracteres teclados aparecerão piscando
sgr0 Após usar um dos atributos acima, use este para restaurar a tela ao seu modo normal
reset Limpa o terminal e restaura suas definições de acordo com o terminfo ou seja, o terminal volta ao padrão definido pela variável $TERM
lines Devolve a quantidade de linhas da tela no momento da instrução
cols Devolve a quantidade de colunas da tela no momento da instrução
el Erase Line – Apaga a linha a partir da posição do cursor
ed Erase Display – Apaga a tela a partir da posição do cursor
il n Insert Lines – Insere n linhas a partir da posição do cursor
dl n Delete Lines – Remove n linhas a partir da posição do cursor
ech n Erase CHaracters – Apaga n caracteres a partir da posição do cursor
sc Save Cursor position – Salva a posição do cursor
rc Restore Cursor position – Coloca o cursor na posição marcada pelo último sc

Vamos fazer um programa bem besta (e portanto fácil) para mostrar alguns atributos deste comando. É o famoso e famigerado Alô Mundo só que esta frase será escrita no centro da tela e em vídeo reverso e após isso, o cursor voltará para a posição em que estava antes de escrever esta tão criativa frase. Veja:

$ cat alo.sh
#!/bin/bash
# Script bobo para testar
# o comando tput (versao 1)

Colunas=`tput cols` # Salvando quantidade colunas
Linhas=`tput lines` # Salvando quantidade linhas
Linha=$((Linhas / 2)) # Qual eh a linha do meio da tela?
Coluna=$(((Colunas – 9) / 2)) # Centrando a mensagem na tela
tput sc # Salvando posicao do cursor
tput cup $Linha $Coluna # Posicionando para escrever
tput rev # Video reverso
echo Alô Mundo
tput sgr0 # Restaura video ao normal
tput rc # Restaura cursor aa posição original

Como o programa já está todo comentado, acho que a única explicação necessária seria para a linha em que é criada a variável Coluna e o estranho ali é aquele número 9, mas ele é o tamanho da cadeia que pretendo escrever (Alô Mundo).

Desta forma este programa somente conseguiria centrar cadeias de 9 caracteres, mas veja isso:

$ var=Papo
$ echo ${#var}
4

$ var=”Papo de Botequim”
$ echo ${#var}
16

Ahhh, melhorou! Então agora sabemos que a construção ${#variavel} devolve a quantidade de caracteres de variavel. Assim sendo, vamos otimizar o nosso programa para que ele escreva em vídeo reverso, no centro da tela a cadeia passada como parâmetro e depois o cursor volte à posição que estava antes da execução do script.

$ cat alo.sh
#!/bin/bash
# Script bobo para testar
# o comando tput (versao 2)

Colunas=`tput cols` # Salvando quantidade colunas
Linhas=`tput lines` # Salvando quantidade linhas
Linha=$((Linhas / 2)) # Qual eh a linha do meio da tela?
Coluna=$(((Colunas – ${#1}) / 2)) #Centrando a mensagem na tela
tput sc # Salvando posicao do cursor
tput cup $Linha $Coluna # Posicionando para escrever
tput rev # Video reverso
echo $1
tput sgr0 # Restaura video ao normal
tput rc # Restaura cursor aa posição original

Este script é igual ao anterior, só que trocamos o valor fixo da versão anterior (9), por ${#1}, onde este 1 é o $1 ou seja, esta construção devolve o tamanho do primeiro parâmetro passado para o programa. Se o parâmetro que eu quiser passar tiver espaços em branco, teria que colocá-lo todo entre aspas, senão o $1 seria somente o primeiro pedaço. Para evitar este aborrecimento, é só substituir o $1 por $*, que como sabemos é o conjunto de todos os parâmetros. Então aquela linha ficaria assim:

    Coluna=`$(((Colunas - ${#*}) / 2))` #Centrando a mensagem na tela

e a linha echo $1 passaria a ser echo $*. Mas não esqueça de qdo executar, passar a frase que vc desja centrar como parâmetro.

E agora podemos ler os dados da tela

Bem a partir de agora vamos aprender tudo sobre leitura, só não posso ensinar a ler cartas e búzios porque se eu soubesse, estaria rico, num pub londrino tomando scotch e não em um boteco desses tomando chope. Mas vamos em frente.

Da última vez que nos encontramos aqui eu já dei uma palinha sobre o comando read. Para começarmos a sua analise mais detalhada. veja só isso:

$ read var1 var2 var3
Papo de Botequim

$ echo $var1
Papo

$ echo $var2
de

$ echo $var3
Botequim

$ read var1 var2
Papo de Botequim

$ echo $var1
Papo

$ echo $var2
de Botequim

Como você viu, o read recebe uma lista separada por espaços em branco e coloca cada item desta lista em uma variável. Se a quantidade de variáveis for menor que a quantidade de itens, a última variável recebe o restante.

Eu disse lista separada por espaços em branco? Agora que você já conhece tudo sobre o $IFS (Inter Field Separator) que eu te apresentei quando falávamos do comando for, será que ainda acredita nisso? Vamos testar direto no prompt:

$ oIFS=”$IFS”
$ IFS=:
$ read var1 var2 var3
Papo de Botequim

$ echo $var1
Papo de Botequim

$ echo $var2$ echo $var3
$ read var1 var2 var3
Papo:de:Botequim

$ echo $var1
Papo

$ echo $var2
de

$ echo $var3
Botequim

$ IFS=”$oIFS”

Viu, estava furado! O read lê uma lista, assim como o for, separada pelos caracteres da variável $IFS. Então veja como isso pode facilitar a sua vida:

$ grep julio /etc/passwd
julio:x:500:544:Julio C. Neves – 7070:/home/julio:/bin/bash

$ oIFS=”$IFS” # Salvando IFS
$ IFS=:
$ grep julio /etc/passwd | read lname lixo uid gid coment home shell
$ echo -e “$lnamen$uidn$gidn$comentn$homen$shell”
julio
500
544
Julio C. Neves – 7070
/home/julio
/bin/bash

$ IFS=”$oIFS” # Restaurando IFS

Como você viu, a saída do grep foi redirecionada para o comando read que leu todos os campos de uma só tacada. A opção -e do echo foi usada para que o n fosse entendido como um salto de linha (new line), e não como um literal.

Sob o Bash existem diversas opções do read que servem para facilitar a sua vida. Veja a tabela a seguir:

Opções do comando read no Bash
Opção Ação
-p prompt Escreve o prompt antes de fazer a leitura
-n num Lê até num caracteres
-t seg Espera seg segundos para que a leitura seja concluída
-s O que está sendo teclado não aparece na tela

E agora direto aos exemplos curtos para demonstrar estas opções.

Para ler um campo “Matrícula”:

$ echo -n “Matricula: “; read Mat # -n nao salta linha
Matricula: 12345

$ echo $Mat
12345

Ou simplificando com a opção -p:

$ read -p “Matricula: ” Mat
Matricula: 12345

$ echo $Mat
12345

Para ler uma determinada quantidade de caracteres:

$ read -n5 -p”CEP: ” Num ; read -n3 -p- Compl
CEP: 12345-678
$
$ echo $Num
12345

$ echo $Compl
678

Neste exemplo fizemos dois read: um para a primeira parte do CEP e outra para o seu complemento, deste modo formatando a entrada de dados. O cifrão ($) após o último algarismo teclado, é porque o read não tem o new-line implícito por default como o tem o echo.

Para ler que até um determinado tempo se esgote (conhecido como time out):

$ read -t2 -p “Digite seu nome completo: ” Nom || echo ‘Eta moleza!’
Digite seu nome completo: JEta moleza!

$ echo $Nom$

Obviamente isto foi uma brincadeira, pois só tinha 3 segundos para digitar o meu nome completo e só me deu tempo de teclar um J (aquele colado no Eta), mas serviu para mostrar duas coisas:

  1. O comando após o par de barras verticais (||) (o ou lógico, lembra-se?) será executado caso a digitação não tenha sido concluída no tempo estipulado;
  2. A variável Nom permaneceu vazia. Ela será valorada somente quando o <ENTER> for teclado.

Para ler um dado sem ser exibido na tela:

$ read -sp “Senha: “
Senha:
$ echo $REPLY
segredo 🙂

Aproveitei um erro para mostrar um macete. Quando escrevi a primeira linha, esqueci de colocar o nome da variável que iria receber a senha, e só notei quando ia listar o seu valor. Felizmente a variável $REPLY do Bash, possui a última cadeia lida e me aproveitei disso para não perder a viagem. Teste você mesmo o que acabei de fazer.

Mas o exemplo que dei, era para mostrar que a opção -s impede o que está sendo teclado de ir para a tela. Como no exemplo anterior, a falta do new-line fez com que o prompt de comando ($) permanecesse na mesma linha.

Bem, agora que sabemos ler da tela vejamos como se lê os dados dos arquivos.

Vamos ler arquivos?

Como eu já havia lhe dito, e você deve se lembrar, o while testa um comando e executa um bloco de instruções enquanto este comando for bem sucedido. Ora quando você está lendo um arquivo que lhe dá permissão de leitura, o read só será mal sucedido quando alcançar o EOF (end of file), desta forma podemos ler um arquivo de duas maneiras:

1 – Redirecionando a entrada do arquivo para o bloco do while assim:

    while read Linha
    do
        echo $Linha
    done < arquivo

2 – Redirecionando a saída de um cat para o while, da seguinte maneira:

    cat arquivo |
    while read Linha
    do
        echo $Linha
    done

Cada um dos processos tem suas vantagens e desvantagens:

Vantagens do primeiro processo:

  • É mais rápido;
  • Não necessita de um subshell para assisti-lo;

Desvantagem do primeiro processo:

  • Em um bloco de instruções grande, o redirecionamento fica pouco visível o que por vezes prejudica a vizualização do código;

Vantagem do segundo processo:

  • Como o nome do arquivo está antes do while, é mais fácil a vizualização do código.

Desvantagens do segundo processo:

  • O Pipe (|) chama um subshell para interpretá-lo, tornando o processo mais lento, pesado e por vezes problemático (veja o exemplo a seguir).

Para ilustrar o que foi dito, veja estes exemplos a seguir:

$ cat readpipe.sh
#!/bin/bash
# readpipe.sh
# Exemplo de read passando arquivo por pipe.

Ultimo=”(vazio)”
cat $0 | # Passando o arq. do script ($0) p/ while
while read Linha
do
Ultimo=”$Linha”
echo “-$Ultimo-”
done
echo “Acabou, Último=:$Ultimo:”

Vamos ver sua execução:

$ readpipe.sh
-#!/bin/bash-
-# readpipe.sh-
-# Exemplo de read passando arquivo por pipe.-

-Ultimo=”(vazio)”-
-cat $0 | # Passando o arq. do script ($0) p/ while-
-while read Linha-
-do-
-Ultimo=”$Linha”-
-echo “-$Ultimo-“-
-done-
-echo “Acabou, Último=:$Ultimo:”-
Acabou, Último=:(vazio):

Como você viu, o script lista todas as suas próprias linhas com um sinal de menos (-) antes e outro depois de cada, e no final exibe o conteúdo da variável $Ultimo. Repare no entanto que o conteúdo desta variável permanece como (vazio).

– Ué será que a variável não foi atualizada?

– Foi, e isso pode ser comprovado porque a linha echo "-$Ultimo-" lista corretamente as linhas.

– Então porque isso aconteceu?

– Por que como eu disse, o bloco de instruções redirecionado pelo pipe (|) é executado em um subshell e lá as variáveis são atualizadas. Quando este subshell termina, as atualizações das variáveis vão para os píncaros do inferno junto com ele. Repare que vou fazer uma pequena mudança nele, passando o arquivo por redirecionamento de entrada (<) e as coisas passarão a funcionar na mais perfeita ordem:

$ cat redirread.sh
#!/bin/bash
# redirread.sh
# Exemplo de read passando arquivo por pipe.

Ultimo=”(vazio)”
while read Linha
do
Ultimo=”$Linha”
echo “-$Ultimo-”
done < $0 # Passando o arq. do script ($0) p/ while
echo “Acabou, Último=:$Ultimo:”

E veja a sua perfeita execução:

$ redirread.sh
-#!/bin/bash-
-# redirread.sh-
-# Exemplo de read passando arquivo por pipe.-

-Ultimo=”(vazio)”-
-while read Linha-
-do-
-Ultimo=”$Linha”-
-echo “-$Ultimo-“-
-done < $0 # Passando o arq. do script ($0) p/ while-
-echo “Acabou, Último=:$Ultimo:”-
Acabou, Último=:echo “Acabou, Último=:$Ultimo:”:

Bem amigos da Rede Shell, para finalizar o comando read só falta mais um pequeno e importante macete que vou mostrar utilizando um exemplo prático. Suponha que você queira listar na tela um arquivo e a cada dez registros esta listagem pararia para que o operador pudesse ler o conteúdo da tela e ela só voltasse a rolar (scroll) após o operador digitar qualquer tecla. Para não gastar papel (da Linux Magazine) pra chuchu, vou fazer esta listagem na horizontal e o meu arquivo (numeros), tem 30 registros somente com números seqüênciais. Veja:

$ seq 30 | xargs -i echo lin {} > numeros # Criando arquivo numeros
$ paste -sd’:’ numeros # Este paste é para exibir o conteúdo sem ser um
#+ por linha, usando dois-pontos como separador
lin 1:lin 2:lin 3:lin 4:lin 5:lin 6:lin 7:lin 8:lin 9:lin 10:lin 11:lin 12:lin 13:lin 14:lin 15:l
in 16:lin 17:lin 18:lin 19:lin 20:lin 21:lin 22:lin 23:lin 24:lin 25:lin 26:lin 27:lin 28:lin 29:
lin 30

$ cat 10porpag.sh
#!/bin/bash
# Prg de teste para escrever
# 10 linhas e parar para ler
# Versão 1

while read Num
do
let ContLin++ # Contando…
echo -n “$Num ” # -n para nao saltar linha
((ContLin % 10)) > /dev/null || read
done < numeros

Na tentativa de fazer um programa genérico criamos a variável $ContLin (por que na vida real, os registros não são somente números seqüenciais) e parávamos para ler quando o resto da divisão por 10 fosse zero (mandando a saída para /dev/null de forma a não aparecer na tela, sujando-a). Porém, quando fui executar deu a seguinte zebra:

$ 10porpag.sh
lin 1 lin 2 lin 3 lin 4 lin 5 lin 6 lin 7 lin 8 lin 9 lin 10 lin 12 lin 13 lin 14 lin 15 lin 16 l
in 17 lin 18 lin 19 lin 20 lin 21 lin 23 lin 24 lin 25 lin 26 lin 27 lin 28 lin 29 lin 30
$

Repare que faltou a linha lin 11 e a listagem não parou no read. O que houve foi que toda a entrada do loop estava redirecionada do arquivo numeros e desta forma, a leitura foi feita em cima deste arquivo, desta forma perdendo a lin 11 (e também a lin 22 ou qualquer linha múltipla de 11).

Vamos mostrar então como deveria ficar para funcionar a contento:

$ cat 10porpag.sh
#!/bin/bash
# Prg de teste para escrever
# 10 linhas e parar para ler
# Versão 2

while read Num
do
let ContLin++ # Contando…
echo -n “$Num ” # -n para nao saltar linha
((ContLin % 10)) > /dev/null || read < /dev/tty
done < numeros

Observe que agora a entrada do read foi redirecionada por /dev/tty, que nada mais é senão o terminal corrente, explicitando desta forma que aquela leitura seria feita do teclado e não de numeros. É bom realçar que isto não acontece somente quando usamos o redirecionamento de entrada, se houvéssemos usado o redirecionamento via pipe (|), o mesmo teria ocorrido.

Veja agora a sua execução:

$ 10porpag.sh
lin 1 lin 2 lin 3 lin 4 lin 5 lin 6 lin 7 lin 8 lin 9 lin 10
lin 11 lin 12 lin 13 lin 14 lin 15 lin 16 lin 17 lin 18 lin 19 lin 20
lin 21 lin 22 lin 23 lin 24 lin 25 lin 26 lin 27 lin 28 lin 29 lin 30

Isto está quase bom mas falta um pouco para ficar excelente. Vamos melhorar um pouco o exemplo para que você o reproduza e teste (mas antes de testar aumente o número de registros de numeros ou reduza o tamanho da tela, para que haja quebra).

$ cat 10porpag.sh
#!/bin/bash
# Prg de teste para escrever
# 10 linhas e parar para ler
# Versão 3

clear
while read Num
do
((ContLin++)) # Contando…
echo “$Num”
((ContLin % (`tput lines` – 3))) ||
{
read -n1 -p”Tecle Algo ” < /dev/tty # para ler qq caractere
clear # limpa a tela apos leitura
}
done < numeros

A mudança substancial feita neste exemplo é com relação à quebra de página, já que ela é feita a cada quantidade-de-linhas-da-tela (tput lines) menos (-) 3, isto é, se a tela tem 25 linha, listará 22 registros e parará para leitura. No comando read também foi feita uma alteração, inserido um -n1 para ler somente um caractere sem ser necessariamente um <ENTER> e a opção -p para dar a mensagem.

– Bem meu amigo, por hoje é só porque acho que você já está de saco cheio…

– Num tô não, pode continuar…

– Se você não estiver eu estou… Mas já que você está tão empolgado com o Shell, vou te deixar um exercício de apredizagem para você melhorar a sua CDteca que é bastante simples. Reescreva o seu programa que cadastra CDs para montar toda a tela com um único echo e depois vá posicionando à frente de cada campo para receber os valores que serão teclados pelo operador.

Vou aproveitar também para mandar o meu jabá: diga para os amigos que quem estiver afim de fazer um curso porreta de programação em Shell que mande um e-mail para a nossa gerencia de treinamento para informar-se.

Qualquer dúvida ou falta de companhia para um chope ou até para falar mal dos políticos é só mandar um e-mail para mim.

Valeu!

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Papo de Botequim – Parte 8


– E aê cara tudo bem? – Legal!, eu queria te mostrar o que fiz mas já sei que você vai querer molhar o bico primeiro né?- Só pra contrariar, hoje vou deixar você mostrar logo o seu “bacalho”. Vai mostra aí o que você fez.- Poxa o exercício que você passou é muito grande. Veja só como eu resolvi:

$ cat musinc5
#!/bin/bash
# Cadastra CDs (versao 5)
#
clear
LinhaMesg=$((`tput lines` – 3)) # Linha que msgs serão dadas para operador
TotCols=$(tput cols) # Qtd colunas da tela para enquadrar msgs
echo ”
Inclusao de Músicas
======== == =======
Título do Álbum:
| Este campo foi
Faixa: < criado somente para
| orientar o preenchimento
Nome da Música:
Intérprete:” # Tela montada com um único echo
while true
do
tput cup 5 38; tput el # Posiciona e limpa linha
read Album
[ ! “$Album” ] && # Operador deu <ENTER>
{
Msg=”Deseja Terminar? (S/n)”
TamMsg=${#Msg}
Col=$(((TotCols – TamMsg) / 2)) # Centra msg na linha
tput cup $LinhaMesg $Col
echo “$Msg”
tput cup $LinhaMesg $((Col + TamMsg + 1))
read -n1 SN
tput cup $LinhaMesg $Col; tput el # Apaga msg da tela
[ $SN = “N” -o $SN = “n” ] && continue # $SN é igual a N ou (-o) n?
clear; exit # Fim da execução
}
grep “^$Album^” musicas > /dev/null &&
{
Msg=”Este álbum já está cadastrado”
TamMsg=${#Msg}
Col=$(((TotCols – TamMsg) / 2)) # Centra msg na linha
tput cup $LinhaMesg $Col
echo “$Msg”
read -n1
tput cup $LinhaMesg $Col; tput el # Apaga msg da tela
continue # Volta para ler outro álbum
}
Reg=”$Album^” # $Reg receberá os dados para gravação
oArtista= # Variavel que guarda artista anterior
while true
do
((Faixa++))
tput cup 7 38
echo $Faixa
tput cup 9 38 # Posiciona para ler musica
read Musica
[ “$Musica” ] || # Se o operador tiver dado …
{
Msg=”Fim de Álbum? (S/n)”
TamMsg=${#Msg}
Col=$(((TotCols – TamMsg) / 2)) # Centra msg na linha
tput cup $LinhaMesg $Col
echo “$Msg”
tput cup $LinhaMesg $((Col + TamMsg + 1)
read -n1 SN
tput cup $LinhaMesg $Col; tput el # Apaga msg da tela
[ “$SN” = N -o “$SN” = n ]&&continue # $SN é igual a N ou (-o) n?
break # Sai do loop para gravar
}
tput cup 11 38 # Posiciona para ler Artista
[ “$oArtista” ]&& echo -n “($oArtista) ” # Artista anterior é default
read Artista
[ “$Artista” ] && oArtista=”$Artista”
Reg=”$Reg$oArtista~$Musica:” # Montando registro
tput cup 9 38; tput el # Apaga Musica da tela
tput cup 11 38; tput el # Apaga Artista da tela
done
echo “$Reg” >> musicas # Grava registro no fim do arquivo
sort musicas -0 musicas # Classifica o arquivo
done

– É o programa tá legal, tá todo estruturadinho, mas gostaria de alguns poucos comentários sobre o que você fez:

  • Só para relembrar, as seguintes construções: [ ! $Album ] && e [ $Musica ] || representam a mesma coisa, isto é, no caso da primeira, o testamos se a variável $Album não (!) tem nada dentro, então (&&) … Na segunda, testamos se $Musica tem dado, senão (||) …
  • Se você reclamou do tamanho dele, é porque ainda não dei algumas dicas. Repare que a maior parte do script é para dar mensagens centradas na penúltima linha da tela. Repare ainda que algumas mensagens pedem um S ou um N e outras são só de advertência. Seria o caso típico do uso de funções, que seriam escritas somente uma vez e chamada a execução de diversos pontos do script. Vou montar duas funções para resolver estes casos e vamos incorporá-las ao seu programa para ver o resultado final.

Funções

– Chico! Agora traz dois chopes, sendo um sem colarinho, para me dar inspiração.

    Pergunta ()
        {
        #  A função recebe 3 parâmetros na seguinte ordem:
        #  $1 - Mensagem a ser dada na tela
        #  $2 - Valor a ser aceito com resposta default
        #  $3 - O outro valor aceito
        #  Supondo que $1=Aceita?, $2=s e $3=n, a linha a
        #  seguir colocaria em Msg o valor "Aceita? (S/n)"
        local Msg="$1 (`echo $2 | tr a-z A-Z`/`echo $3 | tr A-Z a-z`)"
        local TamMsg=${#Msg}
        local Col=$(((TotCols - TamMsg) / 2))  # Centra msg na linha
        tput cup $LinhaMesg $Col
        echo "$Msg"
        tput cup $LinhaMesg $((Col + TamMsg + 1))
        read -n1 SN
        [ ! $SN ] && SN=$2                     # Se vazia coloca default em SN
        echo $SN | tr A-Z a-z                  # A saída de SN será em minúscula
        tput cup $LinhaMesg $Col; tput el      # Apaga msg da tela
        return                                 # Sai da função
        }

Como podemos ver, uma função é definida quando fazemos nome_da_função () e todo o seu corpo está entre chaves ({}). Assim como conversamos aqui no Boteco sobre passagem de parâmetros, as funções os recebem da mesma forma, isto é, são parâmetros posicionais ($1, $2, ..., $n) e todas as regras que se aplicam a passagem de parâmetros para programas, também valem para funções, mas é muito importante realçar que os parâmetros passados para um programa não se confundem com aqueles que este passou para suas funções. Isso significa, por exemplo, que o $1 de um script é diferente do $1 de uma de suas funções

Repare que as variáveis $Msg, $TamMsg e $Col são de uso restrito desta rotina, e por isso foram criadas como local. A finalidade disso é simplesmente para economizar memória, já que ao sair da rotina, elas serão devidamente detonadas da partição e caso não tivesse usado este artifício, permaneceriam residentes.

A linha de código que cria local Msg, concatena ao texto recebido ($1) um abre parênteses, a resposta default ($2) em caixa alta, uma barra, a outra resposta ($3) em caixa baixa e finaliza fechando o parênteses. Uso esta convenção para, ao mesmo tempo, mostrar as opções disponíveis e realçar a resposta oferecida como default.

Quase ao fim da rotina, a resposta recebida ($SN) é passada para caixa baixa de forma que no corpo do programa não se precise fazer este teste.

Veja agora como ficaria a função para dar uma mensagem na tela:

    function MandaMsg
        {
        # A função recebe somente um parâmetro
        # com a mensagem que se deseja exibir,
        # para não obrigar ao programador passar
        # a msq entre aspas, usaremos $* (todos
        # os parâmetro, lembra?) e não $1.
        local Msg="$*"
        local TamMsg=${#Msg}
        local Col=$(((TotCols - TamMsg) / 2)) # Centra msg na linha
        tput cup $LinhaMesg $Col
        echo "$Msg"
        read -n1
        tput cup $LinhaMesg $Col; tput el     # Apaga msg da tela
        return                                # Sai da função
        }

Esta é uma outra forma de definir uma função: não a chamamos como no exemplo anterior usando uma construção com a sintaxe nome_da_função (), mas sim como function nome_da_função. Quanto ao mais, nada difere da anterior, exceto que, como consta dos comentários, usamos a variável $* que como já sabemos é o conjunto de todos os parâmetros passados, para que o programador não precise usar aspas envolvendo a mensagem que deseja passar para a função.

Para terminar com este blá-blá-blá vamos ver então as alterações que o programa necessita quando usamos o conceito de funções:

$ cat musinc6
#!/bin/bash
# Cadastra CDs (versao 6)
#

# Área de variáveis globais
LinhaMesg=$((`tput lines` – 3)) # Linha que msgs serão dadas para operador
TotCols=$(tput cols) # Qtd colunas da tela para enquadrar msgs

# Área de funções
Pergunta ()
{
# A função recebe 3 parâmetros na seguinte ordem:
# $1 – Mensagem a ser dada na tela
# $2 – Valor a ser aceito com resposta default
# $3 – O outro valor aceito
# Supondo que $1=Aceita?, $2=s e $3=n, a linha
# abaixo colocaria em Msg o valor “Aceita? (S/n)”
local Msg=”$1 (`echo $2 | tr a-z A-Z`/`echo $3 | tr A-Z a-z`)”
local TamMsg=${#Msg}
local Col=$(((TotCols – TamMsg) / 2)) # Centra msg na linha
tput cup $LinhaMesg $Col
echo “$Msg”
tput cup $LinhaMesg $((Col + TamMsg + 1))
read -n1 SN
[ ! $SN ] && SN=$2 # Se vazia coloca default em SN
echo $SN | tr A-Z a-z # A saída de SN será em minúscula
tput cup $LinhaMesg $Col; tput el # Apaga msg da tela
return # Sai da função
}
function MandaMsg
{
# A função recebe somente um parâmetro
# com a mensagem que se deseja exibir,
# para não obrigar ao programador passar
# a msq entre aspas, usaremos $* (todos
# os parâmetro, lembra?) e não $1.
local Msg=”$*”
local TamMsg=${#Msg}
local Col=$(((TotCols – TamMsg) / 2)) # Centra msg na linha
tput cup $LinhaMesg $Col
echo “$Msg”
read -n1
tput cup $LinhaMesg $Col; tput el # Apaga msg da tela
return # Sai da função
}

# O corpo do programa propriamente dito começa aqui
clear
echo ”
Inclusao de Músicas
======== == =======
Título do Álbum:
| Este campo foi
Faixa: < criado somente para
| orientar o preenchimento
Nome da Música:
Intérprete:” # Tela montada com um único echo
while true
do
tput cup 5 38; tput el # Posiciona e limpa linha
read Album
[ ! “$Album” ] && # Operador deu
{
Pergunta “Deseja Terminar” s n
[ $SN = “n” ] && continue # Agora só testo a caixa baixa
clear; exit # Fim da execução
}
grep -iq “^$Album^” musicas 2> /dev/null &&
{
MandaMsg Este álbum já está cadastrado
continue # Volta para ler outro álbum
}
Reg=”$Album^” # $Reg receberá os dados de gravação
oArtista= # Guardará artista anterior
while true
do
((Faixa++))
tput cup 7 38
echo $Faixa
tput cup 9 38 # Posiciona para ler musica
read Musica
[ “$Musica” ] || # Se o operador tiver dado …
{
Pergunta “Fim de Álbum?” s n
[ “$SN” = n ] && continue # Agora só testo a caixa baixa
break # Sai do loop para gravar dados
}
tput cup 11 38 # Posiciona para ler Artista
[ “$oArtista” ]&& echo -n “($oArtista) ” # Artista anterior é default
read Artista
[ “$Artista” ] && oArtista=”$Artista”
Reg=”$Reg$oArtista~$Musica:” # Montando registro
tput cup 9 38; tput el # Apaga Musica da tela
tput cup 11 38; tput el # Apaga Artista da tela
done
echo “$Reg” >> musicas # Grava registro no fim do arquivo
sort musicas -o musicas # Classifica o arquivo
done

Repare que a estruturação do script está conforme o gráfico a seguir:

Variáveis Globais
Funções
Corpo do Programa

Esta estruturação é devido ao Shell ser uma linguagem interpretada e desta forma o programa é lido da esquerda para a direita e de cima para baixo e uma variável para ser vista simultaneamente pelo script e suas funções deve ser declarada (ou inicializada) antes de qualquer coisa. As funções por sua vez devem ser declaradas antes do corpo do programa propriamente dito porque no ponto em que o programador mencionou seu nome, o interpretador Shell já o havia antes localizado e registrado que era uma função.

Uma coisa bacana no uso de funções é fazê-las o mais genérico possível de forma que elas sirvam para outras aplicações, sem necessidade de serem reescritas. Essas duas que acabamos de ver têm uso generalizado, pois é difícil um script que tenha uma entrada de dados pelo teclado que não use uma rotina do tipo da MandaMsg ou não interage com o operador por algo semelhante à Pergunta.

Conselho de amigo: crie um arquivo e cada função nova que você criar, anexe-a a este arquivo. Ao final de um tempo você terá uma bela biblioteca de funções que lhe poupará muito tempo de programação.

O comando source

Vê se você nota algo de diferente na saída do ls a seguir:

$ ls -la .bash_profile
-rw-r–r– 1 Julio unknown 4511 Mar 18 17:45 .bash_profile

Não olhe a resposta não, volte a prestar atenção! Bem, já que você está mesmo sem saco de pensar e prefere ler a resposta, vou te dar uma dica: acho que você sabe que o .bash_profile é um dos programas que são automaticamente “executados” quando você se loga (ARRGGHH! Odeio este termo). Agora que te dei esta dica olhe novamente para a saída do ls e me diga o que há de diferente nela.

Como eu disse o .bash_profile é “executado” em tempo de logon e repare que não tem nenhum direito de execução. Isso se dá porque o se você o executasse como qualquer outro script careta, quando terminasse sua execução todo o ambiente por ele gerado morreria junto com o Shell sob o qual ele foi executado (você se lembra que todos os scripts são executados em subshells, né?).

Pois é. É para coisas assim que existe o comando source, também conhecido por . (ponto). Este comando faz com que não seja criado um novo Shell (um subshell) para executar o programa que que lhe é passado como parâmetro.

Melhor um exemplo que 453 palavras. Veja este scriptizinho a seguir:

$ cat script_bobo
cd ..
ls

Ele simplesmente deveria ir para o diretório acima do diretório atual. Vamos executar uns comandos envolvendo o script_bobo e vamos analisar os resultados:

$ pwd
/home/jneves

$ script_bobo
jneves juliana paula silvie

$ pwd
/home/jneves

Se eu mandei ele subir um diretório, porque não subiu? Subiu sim! O subshell que foi criado para executar o script tanto subiu que listou os diretórios dos quatro usuários abaixo do /home, só que assim que o script acabou, o subshell foi para o beleleu e com ele todo o ambiente criado. Olha agora como a coisa muda:

$ source script_bobo
jneves juliana paula silvie

$ pwd
/home

$ cd –
/home/jneves

$ . script_bobo
jneves juliana paula silvie

$ pwd
/home

Ahh! Agora sim! Sendo passado como parâmetro do comando source ou . (ponto), o script foi executado no Shell corrente deixando neste, todo o ambiente criado. Agora damos um rewind para o início da explicação sobre este comando. Lá falamos do .bash_profile, e a esta altura você já deve saber que a sua incumbência é, logo após o login, deixar o ambiente de trabalho preparado para o usuário, e agora entendemos que é por isso mesmo que ele é executado usando este artifício.

E agora você deve estar se perguntando se é só para isso que este comando serve, e eu lhe digo que sim, mas isso nos traz um monte de vantagens e uma das mais usadas é tratar funções como rotinas externas. Veja uma outra forma de fazer o nosso programa para incluir CDs no arquivo musicas:

$ cat musinc7
#!/bin/bash
# Cadastra CDs (versao 7)
#

# Área de variáveis globais
LinhaMesg=$((`tput lines` – 3)) # Linha que msgs serão dadas para operador
TotCols=$(tput cols) # Qtd colunas da tela para enquadrar msgs

# O corpo do programa propriamente dito começa aqui
clear
echo ”
Inclusao de Músicas
======== == =======
Título do Álbum:
| Este campo foi
Faixa: < criado somente para
| orientar o preenchimento
Nome da Música:
Intérprete:” # Tela montada com um único echo
while true
do
tput cup 5 38; tput el # Posiciona e limpa linha
read Album
[ ! “$Album” ] && # Operador deu
{
source pergunta.func “Deseja Terminar” s n
[ $SN = “n” ] && continue # Agora só testo a caixa baixa
clear; exit # Fim da execução
}
grep -iq “^$Album^” musicas 2> /dev/null &&
{
. mandamsg.func Este álbum já está cadastrado
continue # Volta para ler outro álbum
}
Reg=”$Album^” # $Reg receberá os dados de gravação
oArtista= # Guardará artista anterior
while true
do
((Faixa++))
tput cup 7 38
echo $Faixa
tput cup 9 38 # Posiciona para ler musica
read Musica
[ “$Musica” ] || # Se o operador tiver dado …
{
. pergunta.func “Fim de Álbum?” s n
[ “$SN” = n ] && continue # Agora só testo a caixa baixa
break # Sai do loop para gravar dados
}
tput cup 11 38 # Posiciona para ler Artista
[ “$oArtista” ] && echo -n “($oArtista) ” # Artista anter. é default
read Artista
[ “$Artista” ] && oArtista=”$Artista”
Reg=”$Reg$oArtista~$Musica:” # Montando registro
tput cup 9 38; tput el # Apaga Musica da tela
tput cup 11 38; tput el # Apaga Artista da tela
done
echo “$Reg” >> musicas # Grava registro no fim do arquivo
sort musicas -o musicas # Classifica o arquivo
done

Agora o programa deu uma boa encolhida e as chamadas de função foram trocadas por arquivos externos chamados pergunta.func e mandamsg.func, que assim podem ser chamados por qualquer outro programa, desta forma reutilizando o seu código.

Por motivos meramente didáticos as execuções de pergunta.func e mandamsg.func estão sendo comandadas por source e por . (ponto) indiscriminadamente, embora prefira o source por ser mais visível desta forma dando maior legibilidade ao código e facilitando sua posterior manutenção.

Veja agora como ficaram estes dois arquivos:

$ cat pergunta.func
# A função recebe 3 parâmetros na seguinte ordem:
# $1 – Mensagem a ser dada na tela
# $2 – Valor a ser aceito com resposta default
# $3 – O outro valor aceito
# Supondo que $1=Aceita?, $2=s e $3=n, a linha
# abaixo colocaria em Msg o valor “Aceita? (S/n)”
Msg=”$1 (`echo $2 | tr a-z A-Z`/`echo $3 | tr A-Z a-z`)”
TamMsg=${#Msg}
Col=$(((TotCols – TamMsg) / 2)) # Centra msg na linha
tput cup $LinhaMesg $Col
echo “$Msg”
tput cup $LinhaMesg $((Col + TamMsg + 1))
read -n1 SN
[ ! $SN ] && SN=$2 # Se vazia coloca default em SN
echo $SN | tr A-Z a-z # A saída de SN será em minúscula
tput cup $LinhaMesg $Col; tput el # Apaga msg da tela

$ cat mandamsg.func
# A função recebe somente um parâmetro
# com a mensagem que se deseja exibir,
# para não obrigar ao programador passar
# a msq entre aspas, usaremos $* (todos
# os parâmetro, lembra?) e não $1.
Msg=”$*”
TamMsg=${#Msg}
Col=$(((TotCols – TamMsg) / 2)) # Centra msg na linha
tput cup $LinhaMesg $Col
echo “$Msg”
read -n1
tput cup $LinhaMesg $Col; tput el # Apaga msg da tela

Em ambos os arquivos, fiz somente duas mudanças que veremos nas observações a seguir, porém tenho mais três a fazer:

  1. As variáveis não estão sendo mais declaradas como local, porque está é uma diretiva que só pode ser usada no corpo de funções e portanto estas variáveis permanecem no ambiente do Shell, poluindo-o;
  2. O comando return não está mais presente mas poderia estar sem alterar em nada a lógica, uma vez que ele só serviria para indicar um eventual erro via um código de retorno previamente estabelecido (por exemplo return 1, return 2, …), sendo que o return e return 0 são idênticos e significam rotina executada sem erros;
  3. O comando que estamos acostumados a usar para gerar código de retorno é o exit, mas a saída de uma rotina externa não pode ser feita desta forma, porque por estar sendo executada no mesmo Shell que o script chamador, o exit simplesmente encerraria este Shell, terminando a execução de todo o script;
  4. De onde surgiu a variável LinhaMesg? Ela veio do musinc7, porque ela havia sido declarada antes da chamada das rotinas (nunca esquecendo que o Shell que está interpretando o script e estas rotinas é o mesmo);
  5. Se você decidir usar rotinas externas, não se avexe, abunde os comentários (principalmente sobre a passagem dos parâmetros) para facilitar a manutenção e seu uso por outros programas no futuro.

– Bem, agora você já tem mais um monte de novidade para melhorar os scripts que fizemos você se lembra do programa listartista no qual você passava o nome de um artista como parâmetro e ele devolvia as suas músicas? Ele era assim:

$ cat listartista
#!/bin/bash
# Dado um artista, mostra as suas musicas
# versao 2

if [ $# -eq 0 ]
then
echo Voce deveria ter passado pelo menos um parametro
exit 1
fi

IFS=”
:”
for ArtMus in $(cut -f2 -d^ musicas)
do
echo “$ArtMus” | grep -i “^$*~” > /dev/null && echo $ArtMus | cut -f2 -d~
done

– Claro que me lembro!…

– Então para firmar os conceitos que te passei, faça ele com a tela formatada, em loop, de forma que ele só termine quando receber um <ENTER> puro no nome do artista. Ahhh! Quando a listagem atingir a antepenúltima linha da tela, o programa deverá dar uma parada para que o operador possa lê-las, isto é, suponha que a tela tenha 25 linhas. A cada 22 músicas listadas (quantidade de linhas menos 3) o programa aguardará que o operador tecle algo para então prosseguir. Eventuais mensagens de erro devem ser passadas usando a rotina mandamsg.func que acabamos de desenvolver.

– Chico, manda mais dois, o meu é com pouca pressão…

Vou aproveitar também para mandar o meu jabá: diga para os amigos que quem estiver afim de fazer um curso porreta de programação em Shell que mande um e-mail para a nossa gerencia de treinamento para informar-se.

Qualquer dúvida ou falta de companhia para um chope ou até para falar mal dos políticos é só mandar um e-mail para mim.

Valeu!

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Tira Gosto

Shell em pedaços pequenos e gostosos


Em construção para sempre


Esta página, apesar de estar no escopo do Papo de Botequim, nunca foi publicada na Linux Magazine. Trata-se de artigos que escrevi para outras mídias, dicas úteis que li pela internet afora (e neste caso com os devidos créditos), contribuições deste pessoal do Software Livre, maravilhoso e sempre pronto a ajudar e da imperdível Lista de Shell Script



Passando parâmetros com xargs

Existe um comando, cuja função primordial é construir listas de parâmetros e passá-la para a execução de outros programas ou instruções. Este comando é o xargs e deve ser usado da seguinte maneira:

    xargs [comando [argumento inicial]]

xargs combina o argumento inicial com os argumentos recebidos da entrada padrão, de forma a executar o comando especificado uma ou mais vezes.

Exemplo:

Vamos procurar em todos os arquivos abaixo de um determinado diretório uma cadeia de caracteres usando o comando find com a opção -type f para pesquisar somente os arquivos normais, desprezando diretórios, arquivos especiais, arquivos de ligações, etc, e vamos torná-la mais genérica recebendo o nome do diretório inicial e a cadeia a ser pesquisada como parâmetros. Para isso fazemos:

$ cat grepr
#
# Grep recursivo
# Pesquisa a cadeia de caracteres definida em $2 a partir do diretorio $1
#
find $1 -type f -print|xargs grep -l “$2”

Na execução deste script procuramos, a partir do diretório definido na variável $1, todos os arquivos que continham a cadeia definida na variável $2.

Exatamente a mesma coisa poderia ser feito se a linha do programa fosse a seguinte:

    find $1 -type f -exec grep -l "$2" {} \;

O primeiro processo tem duas grandes desvantagens sobre o anterior:

  • A primeira é bastante visível: o tempo de execução deste método é muito superior ao daquele, isso porque o grep será feito em cada arquivo que lhe for passado pelo find, um-a-um, ao passo que com o xargs, será passada toda, ou na pior das hipóteses, a maior parte possível, da lista de arquivos gerada pelo find;
  • Dependendo da quantidade de arquivos encontrados que atendem ao find, poderemos ganhar aquela famosa e fatídica mensagem de erro Too many arguments indicando um estouro da pilha de execução do grep. Como foi dito no item anterior, se usarmos o xargs ele passará para o grep a maior quantidade de parâmetros possível, suficiente para não causar este erro, e caso necessário executará o grep mais de uma vez.
Pinguim com placa de atenção Aê pessoal do linux que usa o ls colorido que nem porta de tinturaria: nos exemplos a seguir que envolvem esta instrução, você devem usar a opção --color=none, senão existem grandes chances dos resultados não ocorrerem como o esperado.

Vamos agora analisar um exemplo que é mais ou menos o inverso deste que acabamos de ver. Desta vez, vamos fazer um script para remover todos os arquivos do diretório corrente, pertencentes a um determinado usuário.

A primeira idéia que surge é, como no caso anterior, usar um comando find, da seguinte maneira:

    find . -user cara -exec rm -f {} \;

Quase estaria certo, o problema é que desta forma você removeria não só os arquivos do cara no diretório corrente, mas também de todos os outros subdiretórios “pendurados” neste. Vejamos então como fazer:

    ls -l | grep " cara " | cut -c55- | xargs rm

Desta forma, o grep selecionou os arquivos que continham a cadeia cara no diretório corrente listado pelo ls -l. O comando cut pegou somente o nome dos arquivos, passando-os para a remoção pelo rm usando o comando xargs como ponte

O xargs é também uma excelente ferramenta de criação de one-liners (scripts de somente uma linha). Veja este para listar todos os donos de arquivos (inclusive seus links) “pendurados” no diretório /bin e seus subdiretórios.

$ find /bin -type f -follow | \
xargs ls -al | tr -s ‘ ‘ | cut -f3 -d’ ‘ | sort -u

Muitas vezes o /bin é um link (se não me engano, no Solaris o é) e a opção -follows obriga o find a seguir o link. O comando xargs alimenta o ls -al e a seqüência de comandos seguinte é para pegar somente o 3º campo (dono) e classificá-lo devolvendo somente uma vez cada dono (opção -u do comando sort, que equivale ao comando uniq).

Opções do xargs

Você pode usar as opções do xargs para construir comandos extremamente poderosos.

Opção -i

Para exemplificar isso e começar a entender as principais opções desta instrução, vamos supor que temos que remover todos as arquivos com extensão .txt sob o diretório corrente e apresentar os seus nomes na tela. Veja o que podemos fazer:

$ find . -type f -name “*.txt” | \
xargs -i bash -c “echo removendo {}; rm {}”

A opção -i do xargs troca pares de chaves ({}) pela cadeia que está recebendo pelo pipe (|). Então neste caso as chaves ({}) serão trocadas pelos nomes dos arquivos que satifaçam ao comando find.

Opção -n

Olha só a brincadeira que vamos fazer com o xargs:

$ ls | xargs echo > arq.ls
$ cat arq.ls
arq.ls arq1 arq2 arq3

$ cat arq.ls | xargs -n1
arq.ls
arq1
arq2
arq3

Quando mandamos a saída do ls para o arquivo usando o xargs, comprovamos o que foi dito anteriormente, isto é, o xargs manda tudo que é possível (o suficiente para não gerar um estouro de pilha) de uma só vez. Em seguida, usamos a opção -n 1 para listar um por vez. Só para dar certeza veja o exemplo a seguir, quando listaremos dois em cada linha:

$ cat arq.ls | xargs -n 2
arq.ls arq1
arq2 arq3

Mas a linha acima poderia (e deveria) ser escrita sem o uso de pipe (|), da seguinte forma:

$ xargs -n 2 < arq.ls

Opção -p

Outra opção legal do xargs é a -p, na qual o sistema pergunta se você realmente deseja executar o comando. Digamos que em um diretório você tenha arquivos com a extensão .bug e .ok, os .bug estão com problemas que após corrigidos são salvos como .ok. Dá uma olhadinha na listagem deste diretório:

$ ls dir
arq1.bug
arq1.ok
arq2.bug
arq2.ok

arq9.bug
arq9.ok

Para comparar os arquivos bons com os defeituosos, fazemos:

$ ls | xargs -p -n2 diff -c
diff -c arq1.bug arq1.ok ?…y
….
diff -c arq9.bug arq9.ok ?…y

Opção -t

Para finalizar, o xargs também tem a opção -t, onde vai mostrando as instruções que montou antes de executá-las. Gosto muito desta opção para ajudar a depurar o comando que foi montado.

Resumo

Então podemos resumir o comando de acordo com a tabela a seguir:

Opção Ação
-i Substitui o par de chaves ({}) pelas cadeias recebidas
-nNum Manda o máximo de parâmetros recebidos, até o máximo de Num para o comando a ser executado
-lNum Manda o máximo de linhas recebidas, até o máximo de Num para o comando a ser executado
-p Mostra a linha de comando montada e pergunta se deseja executá-la
-t Mostra a linha de comando montada antes de executá-la

Here Strings

Acabei de dar um treinamento no Instituto de Pesquisas Eldorado, onde peguei uma turma de 12 alunos de altíssima qualidade. Devido ao preparo do pessoal, o nível do curso foi tão bom que cheguei a abordar alguns conceitos pouco usados como o redirecionamento por here strings. Então pensei: se é uma coisa tão útil, porque não mostrá-la a todos? Ai vai …

Primeiro um programador com complexo de inferioridade criou o redirecionamento de entrada e representou-o com um sinal de menor (<) para representar seus sentimento. Em seguida, outro sentindo-se pior ainda, criou o here document representando-o por dois sinais de menor (<<) porque sua fossa era maior. O terceiro, pensou: “estes dois não sabem o que é estar por baixo”… Então criou o here strings representado por três sinais de menor (<<<).

Brincadeiras a parte, o here strings é utilíssimo e, não sei porque, é um perfeito desconhecido. Na pouquíssima literatura que há sobre o tema, nota-se que o here strings é freqüentemente citado como uma variante do here document, teoria com a qual discordo pois sua aplicabilidade é totalmente diferente daquela. Sua sintaxe é simples:

    $ comando <<< $cadeia

Onde cadeia é expandida e alimenta a entrada primária (stdin) de comando.

Como sempre, vamos direto aos exemplos dos dois usos mais comuns para que vocês próprios tirem suas conclusões.

  • Uso #1. Substituindo a famigerada construção echo "cadeia" | comando, que força um fork, criando um subshell e onerando o tempo de execução.

Exemplos:

$ a=”1 2 3″
$ cut -f 2 -d ‘ ‘ <<< $a # Normalmente faz-se: echo $a | cut -f 2 -d ‘ ‘
2

$ echo $NomeArq
Meus Documentos
# Arrrghhh!
$ tr “A-Z ” “a-z_” <<< $NomeArq # Substituindo o echo $NomeArq | tr “A-Z ” “a-z_”
meus_documentos

$ bc <<<“3 * 2”
6

$ bc <<<“scale = 4; 22 / 7”
3.1428

Para mostrar a melhoria no desempenho, vamos fazer um loop de 500 vezes usando o exemplo dados para o comando tr: Veja agora esta seqüência de comandos com medidas de tempo:

$ time for ((i=1; i<= 500; i++)); { tr “A-Z ” “a-z_” <<< $NomeArq >/dev/null; }

real 0m3.508s
user 0m2.400s
sys 0m1.012s

$ time for ((i=1; i<= 500; i++)); { echo $NomeArq | tr “A-Z ” “a-z_” >/dev/null; }

real 0m4.144s
user 0m2.684s
sys 0m1.392s

Veja agora esta seqüência de comandos com medidas de tempo:

$ time for ((i=1;i<=100;i++)); { who | cat > /dev/null; }

real 0m1.435s
user 0m1.000s
sys 0m0.380s

$ time for ((i=1;i<=100;i++)); { cat <(who) > /dev/null; }

real 0m1.552s
user 0m1.052s
sys 0m0.448s

$ time for ((i=1;i<=100;i++)); { cat <<< $(who) > /dev/null; }

real 0m1.514s
user 0m1.056s
sys 0m0.412s

Observando este quadro você verá que no primeiro usamos a forma convencional, no segundo usamos um named pipe temporário para executar uma substituição de processos e no terceiro usamos here strings. Notará também que ao contrário do exemplo anterior, aqui o uso de here strings não foi o mais veloz. Mas repare bem que neste último caso o comando who está sendo executado em um subshell e isso onerou o processo como um todo.

Vejamos uma forma rápida de inserir uma linha como cabeçalho de um arquivo:

$ cat num
1 2
3 4
5 6
7 8
9 10

$ cat – num <<< “Impares Pares”
Impares Pares
1 2
3 4
5 6
7 8
9 10
  • Uso #2. Outra forma legal de usar o here strings é casando-o com um comando read, não perdendo de vista o que aprendemos sobre IFS (veja aqui, na explicação do comando for). O comando cat com as opções -vet mostra o <ENTER> como $, o <TAB> como ^I e os outros caracteres de controle com a notação ^L onde L é uma letra qualquer. Vejamos então o conteúdo de uma variável e depois vamos ler cada um de seus campos:

Exemplos:

$ echo “$Linha”
Leonardo Mello (21)3313-1329

$ cat -vet <<< “$Linha”
Leonardo Mello^I(21)3313-1329$
# Os separadores sao branco e <TAB> (^I)
$ read Nom SNom Tel <<< “$Linha”
$ echo “${Nom}_$S{Nom}_$Tel” # Vamos ver se ele leu cada um dos campos
Leonardo_Mello_(21)3313-1329
# Leu porque os separadores casavam com o IFS

Também podemos ler direto para um vetor (array) veja:

$ echo $Frutas
Pera:Uva:Maçã

$ IFS=:
$ echo $Frutas
Pera Uva Maçã
# Sem as aspas o shell mostra o IFS como branco
$ echo “$Frutas”
Pera:Uva:Maçã
# Ahhh, agora sim!
$ read -a aFrutas <<< “$Frutas” # A opção -a do read, lê para um vetor
$ for i in 0 1 2
> do
> echo ${aFrutas[$i]} # Imprimindo cada elemento do vetor
> done
Pera
Uva
Maçã

Rotatório Peczenyj

Estava, como faço todo dia, dando um lida nos e-mails da “Lista de Shell Script” , quando vi uma “descoberta” totalmente inusitada do Tiago Barcellos Peczenyj. Quando resolvi montar esta coletânea de dicas, me lembrei disso e pedi-lhe para me encaminhar aquele e-mail novamente. O texto a a seguir é o e-mail que ele me mandou, só inseri o último exemplo e tirei as abreviaturas.

Julio descobri uma forma para o Shell criar combinaçãoes fazendo rotação com os elementos estipulados. Podemos gerar todos os binários de 0000 a 1111 da seguinte forma:

$ A={0,1}
$ eval echo $A$A$A$A
0000 0001 0010 0011 0100 0101 0110 0111 1000 1001 1010 1011 1100 1101 1110 1111

Uma aplicação pratica que vejo é para combinar valores diferentes sem ter que encadear loops nem usar o seq

$ A={`seq -s , -f “_%g” 3`}
$ eval echo -e $A$A$A |tr ‘ _’ ‘\n ‘ | grep -vE ‘.+?(\b[0-9]+\b).+?\1’
1 2 3
1 3 2
2 1 3
2 3 1
3 1 2
3 2 1

Neste caso eu combinei os números de 1 a 3 eliminando repetições com o grep. Usei um tr ‘podre’ para melhor tratar os dados, saltando linha.

O grep é simples como você pode notar, eu vejo se uma determinada parte da combinação (.+?(\b[0-9]+\b).+?) existe em outra parte (\1), se existe eu não deixo imprimir por causa da opção -v, assim

    1 1 2
    1 2 1
    1 1 1

não serão impressos. Agora vai o meu exemplo: o one-liner a seguir gerará todas as permissões possíveis (em octal) para o arquivo arq (o exemplo foi interrompido porque existem 512 combinações de permissões possíveis).

$ A={`seq -s , 0 7`}
$ eval echo -e $A$A$A | tr ‘ ‘ ‘\n’ | xargs -i bash -c “chmod {} arq; ls -l arq”
———- 1 julio julio 100 2006-11-27 11:50 arq
———x 1 julio julio 100 2006-11-27 11:50 arq
——–w- 1 julio julio 100 2006-11-27 11:50 arq
——–wx 1 julio julio 100 2006-11-27 11:50 arq
——-r– 1 julio julio 100 2006-11-27 11:50 arq
——-r-x 1 julio julio 100 2006-11-27 11:50 arq
——-rw- 1 julio julio 100 2006-11-27 11:50 arq
——-rwx 1 julio julio 100 2006-11-27 11:50 arq
. . . . . . . . . . . . . . . . . .
-rwxrwxrw- 1 julio julio 100 2006-11-27 11:50 arq
-rwxrwxrwx 1 julio julio 100 2006-11-27 11:50 arq

Vamos ver este exemplo passo-a-passo para entendê-lo:

$ echo $A
{0,1,2,3,4,5,6,7}

$ eval echo -e $A$A$A
000 001 002 003 004 005 006 007 010 … … 767 770 771 772 773 774 775 776 777

$ eval echo -e $A$A$A | tr ‘ ‘ ‘\n’ # O tr trocará cada espaco em branco por um <ENTER>
000
001
002
003
. . .
774
775
776
777

A seguir o xargs (clique para dicas do xargs) executa o comando bash -c (que serve para executar uma linha de comandos) que por sua vez executa o chmod e o ls -l para mostrar que as permissões estão sendo alteradas.

Aritmética em Shell

Antigamente usávamos o comando expr para fazer operações aritméticas e muita gente ainda usa, pois é compatível com quaquer ambiente.

Exemplo:

$ expr 7 \* 5 / 3 # 7 vezes 5 = 35 dividido por 3 = 11
14

Neste artigo porém, vamos ver outras formas não tanto conhecidas, porém mais simples de usar, mais elaboradas e com precisão maior.

O uso do bc

Uma forma bacana de fazer cálculos em Shell – usada normalmente quando a expressão aritmética é mais complexa, ou quando é necessário trabalharmos com casas decimais – é usar a instrução calculadora do UNIX/LINUX. O bc. Veja como: Exemplo:

$ echo “(2 + 3) * 5” | bc # Parênteses usados para dar precedência
25

Para trabalhar com números reais (números não necessariamente inteiros), especifique a precisão (quantidade de decimais) com a opção scale do comando bc. Assim vejamos o penúltimo exemplo:

$ echo “scale=2; 7*5/3” | bc
11.66

Outros exemplos:

$ echo “scale=3; 33.333*3” | bc
99.999

$ num=5
$ echo “scale=2; ((3 + 2) * $num + 4) / 3” | bc
9.66

Obviamente todos os exemplos acima no caso de linux, poderiam (e deveriam) ser escritos usando Here Strings. Veja os últimos como ficariam:

$ bc <<< “scale=3; 33.333*3”
99.999

$ num=5
$ bc <<< “scale=2; ((3 + 2) * $num + 4) / 3”
9.66

Uma vez apareceu na lista (excelente por sinal) de Shell script no Yahoo (http://br.groups.yahoo.com/group/shell-script/) um cara com a seguinte dúvida: “eu tenho um arquivo cujos campos estão separados por e o terceiro deles possui números. Como posso calcular a soma de todos os números desta coluna do arquivo?”

Mandei a seguinte resposta:

$ echo $(cut -f3 num | tr ‘\n’ +)0 | bc
20.1

Vamos por partes para entender melhor e primeiramente vamos ver como era o arquivo que fiz para teste:

$ cat num
a b 3.2
a z 4.5
w e 9.6
q w 2.8

Como pode-se ver, está dentro do padrão do problema, onde eu tenho como terceiro campo números reais. Vamos ver o que faria a primeira parte da linha de comandos, onde eu transformo os caracteres (new-line) em um sinal de mais (+):

$ cut -f3 num | tr ‘\n’ +
3.2+4.5+9.6+2.8+

Se eu mandasse desse jeito para o bc, ele me devolveria um erro por causa daquele sinal de mais (+) solto no final do texto. A minha saída foi colocar um zero no final, pois somando zero o resultado não se alterará. Vamos ver então como ficou:

$ echo $(cut -f3 num | tr -s ‘\n’ +)0
3.2+4.5+9.6+2.8+0

Isso é o que se costuma chamar one-liner, isto é, códigos que seriam complicados em outras linguagens (normalmente seria necessário criar contadores e fazer um loop de leitura somando o terceiro campo ao contador) e em Shell são escritos em uma única linha.

Há também gente que chama isso de método KISS, que é o acrônimo de Keep It Simple Stupid. smile

Mas o potencial de uso desta calculadora não se encerra aí, existem diversas facilidades por ela propiciadas. Veja só este exemplo:

$ echo “obase=16; 11579594” | bc
B0B0CA

$ echo “ibase=16; B0B0CA” | bc # B, zero, B, zero, C, e A
11579594

Nestes exemplos vimos como fazer mudanças de base de numeração com o uso do bc. Na primeira explicitamos a base de saída (obase) como 16 (hexadecimal) e na segunda, dissemos que a base da entrada (ibase) era 10 (decimal).

Outras formas de trabalhar com inteiros

Outra forma muito legal de fazer cálculos é usar a notação $((exp aritmética)). É bom ficar atento, porém, ao fato desta sintaxe não ser universalizada. O Bourne Shell (sh), por exemplo, não a reconhece.

Exemplo:

Usando o mesmo exemplo que já havíamos usado:

$ echo $(((2+3)*5)) # Os parênteses mais internos priorizaram o 2+3
25

Agora olha só esta maluquice:

$ tres=3
$ echo $(((2+tres)*5)) # Variável tres não precedida pelo $
25

$ echo $(((2+$tres)*5)) # Variável tres precedida pelo $
25

Ué!! Não é o cifrão ($) precedente que caracteriza uma variável? Sim, porém em todos os sabores UNIX que testei, sob bash ou ksh, ambas as formas de construção produzem uma boa aritmética.

Preste a atenção nesta seqüência:

$ unset i # $i mooorreu!
$ echo $((i++))
0

$ echo $i
1

$ echo $((++i))
2

$ echo $i
2

Repare que apesar da variável não estar definida, pois foi feito um unset nela, nenhum dos comandos acusou erro, porque, como estamos usando construções aritméticas, sempre que uma variável não existe, é inicializada com zero (0).

Repare que o i++ produziu zero (0). Isto ocorre porque este tipo de construção chama-se pós-incrementação, isto é, primeiramente o comando é executado e só então a variável é incrementada. No caso do ++i, foi feita uma pré-incrementação: primeiro incrementou e somente após o comando foi executado.

Também são válidos:

$ echo $((i+=3))
5

$ echo $i
5

$ echo $((i*=3))
15

$ echo $i
15

$ echo $((i%=2))
1

$ echo $i
1

Estas três operações seriam o mesmo que:

    i=$((i+3))
    i=$((i*3))
    i=$((i%2))

E isto seria válido para todos os operadores aritméticos o que em resumo produziria a tabela a seguir:

Expansão Aritmética
Expressão Resultado
id++ id-- pós-incremento e pós-decremento de variáveis
++id -–id pré-incremento e pré-decremento de variáveis
** exponenciação
* / % multiplicação, divisão, resto da divisão
+ - adição, subtração
<= >= < > comparação
== != igualdade, desigualdade
&& E lógico
|| OU lógico

Mas o auge desta forma de construção com duplo parênteses é o seguinte:

$ echo $var
50

$ var=$((var>40 ? var-40 : var+40))
$ echo $var
10

$ var=$((var>40 ? var-40 : var+40))
$ echo $var
50

Este tipo de construção deve ser lido da seguinte forma: caso a variável var seja maior que 40 (var>40), então (?) faça var igual a var menos 40 (var-40), senão (:) faça var igual a var mais 40 (var+40). O que quis dizer é que os caracteres ponto-de-interrogação (?) e dois-pontos (:) fazem o papel de “então” e “senão”, servindo desta forma para montar uma operação aritmética condicional.

Da mesma forma que usamos a expressão $((...)) para fazer operações aritméticas, também poderíamos usar a intrínseca (built-in) let ou construção do tipo $[...].

Os operadores são os mesmos para estas três formas de construção, o que varia um pouco é a operação aritmética condicional com o uso do let. Vejamos como seria:

$ echo $var
50

$ let var=’var>40 ? var-40 : var+40′
$ echo $var
10

$ let var=’var>40 ? var-40 : var+40′
$ echo $var
50

Baseando

Se você quiser trabalhar com bases diferentes da decimal, basta usar o formato:

    base#numero

Onde base é um número decimal entre 2 e 64 representando o sistema de numeração, e numero é um número no sistema numérico definido por base. Se base# for omitida, então 10 é assumida como default. Os algarismos maiores que 9 são representados por letras minúsculas, maiúsculas, @ e _, nesta ordem.

Se base for menor ou igual a 36, maiúsculas ou minúsculas podem ser usadas indiferentemente para definir algarismos maiores que 9 (não está mal escrito, os algarismos do sistema hexadecimal, por exemplo, variam entre 0 (zero) e F). Vejamos como isso funciona:

$ echo $[2#11]
3

$ echo $((16#a))
10

$ echo $((16#A))
10

$ echo $((2#11 + 16#a))
13

$ echo $[64#a]
10

$ echo $[64#A]
36

$ echo $((64#@))
62

$ echo $((64#_))
63

Nestes exemplos usei as notações $((...)) e $[...] indistintamente, para demonstrar que ambas funcionam.

Funciona também uma mudança automática para a base decimal, desde que você esteja usando a convenção numérica do C, isto é, em 0xNN, o NN será tratado como um hexadecimal e em 0NN, o NN será visto como um octal. Veja o exemplo:

Exemplo

$ echo $((10)) # decimal
10

$ echo $((010)) # octal
8

$ echo $((0x10)) # hexadecimal
16

$ echo $((10+010+0x10)) # Decimal + octal + hexadecimal
64

Ah, já ia me esquecendo! As expressões aritméticas com os formatos $((...)), $[...] e com o comando let usam os mesmos operadores usados na instrução expr, além dos operadores unários (++, --, +=, *=, ...) e condicionais que acabamos de ver.

Testes usando expressões regulares

No Papo de Botequim 004, nós falamos tudo sobre comandos condicionais, mas faltou um que não existia àquela época. Neste mesmo Papo de Botequim, na seção E tome de test nós chegamos a falar de uma construção do tipo:

    [[ Expressao ]] && cmd

Onde o comando cmd será executado caso a expressão condicional Expressao seja verdadeira. Disse ainda que Expressao poderia ser estipulada de acordo com as regras de Geração de Nome de Arquivos (File Name Generation). A partir do bash versão 3, foi incorporado a esta forma de teste um operador representado por =~, cuja finalidade é fazer comparações com Expressões Regulares.

Exemplo:

$ echo $BASH_VERSION # Conferindo se a versão do Bash é igual ou superior a 3.0.0
3.2.17(15)-release

$ Cargo=Senador
$ [[ $Cargo =~ ^(Governa|Sena|Verea)dora?$ ]] && echo É político
É político

$ Cargo=Senadora
$ [[ $Cargo =~ ^(Governa|Sena|Verea)dora?$ ]] && echo É político
É político

$ Cargo=Diretor
$ [[ $Cargo =~ ^(Governa|Sena|Verea)dora?$ ]] && echo É político
$

Vamos dar uma esmiuçada na Expressão Regular ^(Governa|Sena|Verea)dora?$: ela casa com tudo que começa (^) por Governa, ou (|) Sena, ou (|) Verea, seguido de dor e seguido de um a opcional (?). O cifrão ($) serve para marcar o fim. Em outras palavras esta Expressão Regular casa com Governador, Senador, Vereador, Governadora, Senadora e Vereadora.

Colorindo a tela

Como você já havia visto no Papo de Botequim 007, o comando tput serve para fazer quase tudo referente a formatação de tela, mas o que não foi dito é que com ele também pode-se usar cores de frente (dos caracteres) e de fundo. Existem também outras formas de fazer o mesmo, acho porém, esta que veremos agora, mais intuitiva (ou menos “desintuitiva”). A tabela a seguir mostra os comandos para especificarmos os padrões de cores de frente (foreground) ou de fundo (background):

Obtendo cores com o comando tput
Comando Efeito
tput setaf n Especifica n como a cor de frente (foreground)
tput setab n Especifica n como a cor de fundo (background)

Bem, agora você já sabe como especificar o par de cores, mas ainda não sabe as cores. A tabela a seguir mostra os valores que o n (da tabela anterior) deve assumir para cada cor:

Valores das cores com o comando tput
Valor Cor
0 Preto
1 Vermelho
2 Verde
3 Marrom
4 Azul
5 Púrpura
6 Ciano
7 Cinza claro

Neste ponto você já pode começar a brincar com as cores.

– Mas peraí, ainda são muito poucas!

– É, tem toda razão… O problema é que ainda não lhe disse que se você colocar o terminal em modo de ênfase (tput bold), estas cores geram outras oito. Vamos montar então a tabela definitiva de cores:

Valores das cores com o comando tput
Valor Cor Cor após tput bold
0 Preto Cinza escuro
1 Vermelho Vermelho claro
2 Verde Verde claro
3 Marron Amarelo
4 Azul Azul Brilhante
5 Púrpura Rosa
6 Ciano Ciano claro
7 Cinza claro Branco

Exemplo

Como exemplo, vejamos um script que mudará a cor de sua tela de acordo com sua preferência.

$ cat mudacor.sh
#!/bin/bash
tput sgr0
clear

# Carregando as 8 cores básicas para um vetor
Cores=(Preto Vermelho Verde Marrom Azul Púrpura Ciano “Cinza claro”)

# Listando o menu de cores
echo ”
Opc Cor
= ===”
# A linha a seguir significa: para i começando de 1;
#+ enquanto i menor ou igual ao tamanho do vetor Cores;
#+ incremente o valor de i de 1 em 1
for ((i=1; i<=${#Cores[@]}; i++))
{
printf “%02d %s\n” $i “${Cores[i-1]}”
}

CL=
until [[ $CL == 0[1-8] || $CL == [1-8] ]]
do
read -p ”
Escolha a cor da letra: ” CL
done

# Para quem tem bash a partir da versao 3.2
#+ o test do until acima poderia ser feito
#+ usando-se Expressoes Regulares. Veja como:
#+ until [[ $CL =~ 0?[1-8] ]]
#+ do
#+ read -p ”
#+ Escolha a cor da letra: ” CL
#+ done

CF=
until [[ $CF == 0[1-8] || $CF == [1-8] ]]
do
read -p ”
Escolha a cor de fundo: ” CF
done

let CL– ; let CF– # Porque as cores variam de zero a sete
tput setaf $CL
tput setab $CF
clear

Ganhando o jogo com mais coringas

Estava eu lendo meus e-mails quando recebo um do Tiago enviado para a lista de Shell Script (já falei da lista e do Tiago no Rotatório Peczenyj). A seguir o conteúdo do e-mail:

Não sei se é conhecimento de todos mas o shell possui, alem do globbing normal (a expansão *, ? e [a-z] de nomes de arquivos e diretórios), um globbing extendido.

Acho que, em alguns casos, podera ser BEM util, eliminando um pipe para um grep por exemplo.

São eles:

    ?(padrao)

Casa zero ou uma ocorrência de um determinado padrao

    *(padrao)

Casa zero ou mais ocorrências de um determinado padrao

    +(padrao)

Casa uma ou mais ocorrências de um determinado padrao

    @(padrao)

Casa com exatamente uma ocorrência de um determinado padrao

    !(padrao)

Casa com qualquer coisa, exceto com padrao Para poder utilizá-lo precisa executar o shopt conforme o exemplo abaixo:

$ shopt -s extglob
$ ls
file filename filenamename fileutils

$ ls file?(name)
file filename

$ ls file*(name)
file filename filenamename

$ ls file+(name)
filename filenamename

$ ls file@(name)
filename

$ ls file!(name) # divertido esse
file filenamename fileutils

$ ls file+(name|utils)
filename filenamename fileutils

$ ls file@(name|utils) # “lembra” um {name,utils}
filename fileutils

Usando o awk para pesquisar por equivalência

Aí vai mais uma que o Tiago mandou para a lista de Shell Script do Yahoo (já falei da lista e do Tiago no Rotatório Peczenyj e no Ganhando o jogo com mais coringa)

Quem ja não passou por isso: Procurar uma palavra, porém uma letra acentuada, ou não, atrapalhou a busca?

Não descobri como fazer o grep ou sed aceitarem algo semelhante, mas o gawk aceita classes de equivalência!

Melhor explicar com um exemplo, onde vou listar o número da linha e a ocorrência casada:

$ cat dados
éco
eco
èco
êco
ëco
eço

$ awk ‘/^eco/{print NR,$1}’ dados
2 eco

$ awk ‘/^e[[=c=]]o/{print NR,$1}’ dados
2 eco
6 eço

$ awk ‘/^[[=e=]]co/{print NR,$1}’ dados
1 éco
2 eco
3 èco
4 êco
5 ëco

Ou seja, usar [=X=] permite que a expressão encontre a letra X estando acentuada ou não (é sensivel à localização corrente!).

A sintaxe é parecida com a das classes POSIX, trocando os dois-pontos (:) antes e depois da classe por sinais de igual (=).

Achei curioso e deve servir para algum caso semelhante ao descrito.

find – Procurando arquivo por características

Se você está como o Mr. Magoo, procurando em vão um arquivo, use o comando find que serve para procurar arquivos não só pelo nome, como por diversas outras características. Sua sintaxe é a seguinte:

    find [caminho ...] expressão [ação]

Parâmetros:

caminho Caminhos de diretório a partir do qual (porque ele é recursivo, sempre tentará entrar pelos subdiretórios “pendurados” neste) irá procurar pelos arquivos;
expressão Define quais critérios de pesquisa. Pode ser uma combinação entre vários tipos de procura;
ação Define que ação executar com os arquivos que atender aos critérios de pesquisa definidos por expressão.

Os principais critérios de pesquisa definidos por expressão são:

-name Procura arquivos que tenham o nome especificado. Aqui podem ser usados metacaracteres ou caracteres curingas, porém estes caracteres deverão estar entre aspas, apóstrofos ou imediatamente precedidos por uma contrabarra isso porque quem tem de expandir os coringas é o find. Se fosse o Shell que os expandisse, isto seria feito somente com relação ao diretório corrente, o que jogaria por terra a característica recursiva do find;
-user Procura arquivos que tenham usuário como dono;
-group Procura arquivos que tenham grupo como grupo dono;
-type c Procura por arquivos que tenham o tipo c, correspondente à letra do tipo do arquivo. Os tipos aceitos estão na tabela a seguir:
  Valores de c Tipo de arquivo procurado
  b Arquivo especial acessado a bloco
  c Arquivo especial acessado a caractere
  d Diretório
  p Named pipe (FIFO)
  f Arquivo normal
  l Link simbólico
  s Socket
-size ±n[unid] Procura por arquivos que usam mais (+n) de n unidades unid de espaço ou a menos (-n) de n unidades unid de espaço.
  Unidades Valor
  b Bloco de 512 bytes (valor default)
  c Caracteres
  k Kilobytes (1024 bytes)
  w Palavras (2 bytes)
-atime ±d Procura por arquivos que foram acessados há mais (+d) de d dias ou a menos (-d) de d dias;
-ctime ±d Procura por arquivos cujo status mudou há mais (+d) de d dias ou a menos (-d) de d dias;
-mtime ±d Procura por arquivos cujos dados foram modificados há mais (+d) de d dias ou a menos (-d) de d dias;

Para usar mais de um critério de pesquisa, faça:
expressão1 expressão2
ou
expressão1 –a expressão2
para atender aos critérios especificados por expressão1 e expressão2;
expressão1 –o expressão2
para atender aos critérios especificados por expressão1 ou expressão2.

As principais ações definidas para ação são:

-print Esta opção faz com que os arquivos encontrados sejam exibidos na tela. Esta é a opção default no Linux. Nos outros sabores Unix que conheço, se nenhuma ação for especificada, ocorrerá um erro;
-exec cmd {} \; Executa o comando cmd. O escopo de comando é considerado encerrado quando um ponto-e-vírgula (;) é encontrado. A cadeia {} é substituída pelo nome de cada arquivo que satisfaz ao critério de pesquisa e a linha assim formada é executada. Assim como foi dito para a opção –name, o ponto-e-vírgula (;) deve ser precedido por uma contrabarra (\), ou deve estar entre aspas ou apóstrofos;
-ok cmd {} \; O mesmo que o anterior porém pergunta se pode executar a instrução cmd sobre cada arquivo que atende ao critério de pesquisa;
-printf formato Permite que se escolha os campos que serão listados e formata a saída de acordo com o especificado em formato.

Exemplos:

Para listar na tela (-print) todos os arquivos, a partir do diretório corrente, terminados por .sh, faça:

$ find . -name \*.sh Ação não especificada –print é default
./undelete.sh
./ntod.sh
estes quatro primeiros arquivos foram
./dton.sh
encontrados no diretório corrente.
./graph.sh
./tstsh/cotafs.sh
./tstsh/data.sh
Estes quatro foram encontrados no
./tstsh/velha.sh
diretório tstsh, sob o diretório corrente
./tstsh/charascii.sh

Preciso abrir espaço em um determinado file system com muita urgência, então vou remover arquivos com mais de um megabyte e cujo último acesso foi há mais de 60 dias. Para isso, vou para este file system e faço:

$ find . –type f –size +1000000c –atime +60 –exec rm {} \;

Repare que no exemplo acima usei três critérios de pesquisa, a saber:

-type f Todos os arquivos regulares (normais)
-size +1000000c Tamanho maior do que 1000000 de caracteres (+1000000c)
-atime +60 Último acesso há mais de 60 (+60) dias.

Repare ainda que entre estes três critérios foi usado o conector e, isto é, arquivos regulares e maiores que 1MByte e sem acesso há mais de 60 dias.

Para listar todos os arquivos do disco terminados por .sh ou .txt, faria:

$ find / -name \*.sh –o –name \*.txt –print

Neste exemplo devemos salientar além das contrabarras (\) antes dos asteriscos (*), o uso do –o para uma ou outra extensão e que o diretório inicial era o raiz (/); assim sendo, esta pesquisa deu-se no disco inteiro (o que freqüentemente é bastante demorado).

Com o printf é possível formatar a saída do comando find e especificar os dados desejados. A formatação do printf é muito semelhante à do mesmo comando na linguagem C e interpreta caracteres de formatação precedidos por um símbolo de percentual (%). Vejamos seus efeitos sobre a formatação:

Caractere Significado
%f Nome do arquivo (caminho completo não aparece)
%F Indica a qual tipo de file system o arquivo pertence
%g Grupo ao qual o arquivo pertence
%G Grupo ao qual o arquivo pertence (GID- Numérico)
%h Caminho completo do arquivo (tudo menos o nome)
%i Número do inode do arquivo (em decimal)
%m Permissão do arquivo (em octal)
%p Nome do arquivo
%s Tamanho do arquivo
%u Nome de usuário (username) do dono do arquivo
%U Número do usuário (UID) do dono do arquivo

Também é possível formatar datas e horas obedecendo às tabelas a seguir:

Caractere Significado
%a Data do último acesso
%c Data de criação
%t Data de alteração

Os três caracteres anteriores produzem uma data semelhante ao do comando date.

Veja um exemplo:

$ find . -name “.b*” -printf ‘%t %p\n’
Mon Nov 29 11:18:51 2004 ./.bash_logout
Tue Nov 1 09:44:16 2005 ./.bash_profile
Tue Nov 1 09:45:28 2005 ./.bashrc
Fri Dec 23 20:32:31 2005 ./.bash_history

Nesse exemplo, o %p foi o responsável por colocar os nomes dos arquivos. Caso fosse omitido, somente as datas seriam listadas. Observe ainda que ao final foi colocado um /n. Sem ele não haveria salto de linha e a listagem anterior seria uma grande tripa.

Essas datas também podem ser formatadas, para isso basta passar as letras da tabela anterior para maiúsculas (%A, %C e %T) e usar um dos formatadores das duas tabelas a seguir:

Tabela de formatação de tempo
Caractere Significado
H Hora (00..23)
I Hora (01..12)
k Hora (0..23)
l Hora (1..12)
M Minuto (00..59)
p AM or PM
r Horário de 12 horas (hh:mm:ss) seguido de AM ou PM
S Segundos (00 … 61)
T Horário de 24-horas (hh:mm:ss)
Z Fuso horário (na Cidade Maravilhosa BRST)
Tabela de formatação de datas
Caractere Significado
a Dia da semana abreviado (Dom…Sab)
A Dia da semana por extenso (Domingo…Sábado)
b Nome do mês abreviado (Jan…Dez)
B Dia do mês por extenso (Janeiro…Dezembro)
c Data e hora completa (Fri Dec 23 15:21:41 2005)
d Dia do mês (01…31)
D Data no formato mm/dd/aa
h Idêntico a b
j Dia seqüencial do ano (001…366)
m Mês (01…12)
U Semana seqüencial do ano. Domingo como 1º dia da semana (00…53)
w Dia seqüencial da semana (0..6)
W Semana seqüencial do ano. Segunda-feira como 1º dia da semana (00…53)
x Representação da data no formato do país (definido por $LC_ALL)
y Ano com 2 dígitos (00…99)
Y Ano com 4 dígitos

Para melhorar a situação, vejamos uns exemplos; porém, vejamos primeiro quais são os arquivos do diretório corrente que começam por .b:

$ ls -la .b*
-rw——- 1 d276707 ssup 21419 Dec 26 17:35 .bash_history
-rw-r–r– 1 d276707 ssup 24 Nov 29 2004 .bash_logout
-rw-r–r– 1 d276707 ssup 194 Nov 1 09:44 .bash_profile
-rw-r–r– 1 d276707 ssup 142 Nov 1 09:45 .bashrc

Para listar esses arquivos em ordem de tamanho, podemos fazer:

$ find . -name “.b*” -printf ‘%s\t%p\n’ | sort -n
24 ./.bash_logout
142 ./.bashrc
194 ./.bash_profile
21419 ./.bash_history

No exemplo que acabamos de ver, o \t foi substituído por um na saída de forma a tornar a listagem mais legível. Para listar os mesmos arquivos classificados por data e hora da última alteração:

$ find . -name “.b*” -printf ‘%TY-%Tm-%Td %TH:%TM:%TS %p\n’ | sort
2004-11-29 11:18:51 ./.bash_logout
2005-11-01 09:44:16 ./.bash_profile
2005-11-01 09:45:28 ./.bashrc
2005-12-26 17:35:13 ./.bash_history

Vou aproveitar também para mandar o meu jabá: diga para os amigos que quem estiver afim de fazer um curso porreta de programação em Shell que mande um e-mail para a nossa gerencia de treinamento para informar-se.

Qualquer dúvida ou falta de companhia para um chope ou até para falar mal dos políticos é só mandar um e-mail para mim.

Valeu!

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